Não tenho mais idade de esconder as minhas loucuras.

Com a idade fui aprendendo a desatar as mãos das obrigações. No sentido das regras que a sociedade cobra da gente, mesmo.

Sempre que podia desdobrava-me para arranjar um tempo e viajar com os vidros abertos em plena segunda-feira à tarde, guiar-me pela orla enquanto caminhava rente ao mar.

Durante a faculdade, mesmo sendo a mesma mulher reservada de sempre, fui me descobrindo, colecionando viagens, conhecendo pessoas no trabalho – na época eu era assistente de uma estilista famosa – ou nas festas da faculdade – na verdade, eu nunca fui muito de ir às festas da faculdade, nem de gostar festas badaladas, bebidas e agito.

Troco qualquer festa pela minha casa ou pelo meu trabalho. Mas, com o passar do tempo, além de aprender que o que gosto mesmo é ficar em casa, trabalhar com o que amo e viajar, fui ganhando segurança para aceitar que eu também gostava de paixões com uma pitada de loucura.

Lembro com muita clareza, como naquela época eu me cobrava, talvez por uma influência do meio e das amizades, gostar de alguém, namorar com seriedade, conhecer a família e fazer votos de amor eterno, e vivia em busca disso, mas, fazer o que se os meus amores pareciam sempre me tocar de forma maluca e sem sentido?

Eu apaixonava-me perdidamente, queria largar tudo – por alguns dias, claro – e viver aquele amor, paixão, ou o termo que vocês quiserem colocar, intensamente.

Mas dificilmente conseguia dar continuidade a isso. E aí que os problemas começavam.

Eu queria me apaixonar por alguém que me fizesse perder o senso de certo ou errado. Sabes aquela coisa de fazer a vida virar de cabeça para baixo?

Eram as paixões que moviam a minha vida.

Sei que essa energia vital, com o tempo, numa relação, se esvai, mas depois eu pensava nisso, precisava aproveitar aquele momento como se não houvesse amanhã.

E quando digo aproveitar, não quero dizer ficar com vários e vários homens, até porque, apesar de gostar de me apaixonar, sou bem seletista nas minhas relações e só consigo ficar com um homem de cada vez.

Mas, de qualquer forma, sempre gostei de me deixar viver, experimentar, me jogar em sensações novas, me descobrir descobrindo os outros.

E engraçado que, apesar de louca com as coisas da vida e do coração, nunca fui de beber muito, nem de usar drogas, as minhas loucuras são todas com paixões, realizar os meus sonhos, objetivos de trabalho e vontades loucas de viajar repentinamente – que tal amanhã?

Se queres me fazer se apaixonar, diz-me: desce, estou a chegar! Nunca gostei de homens com muitas dúvidas, de indecisões já bastam as minhas. E o que isso tudo tem a ver com loucura? Tudo, eu acho.

Loucura não é somente atirar-ser da ponte preso por uma corda, mergulhar com tubarões ou viajar sozinha, mas colocar o nosso coração numa bandeja que, por muito tempo, já pesou muito.

Loucura é dizer, ou olhar, pois palavras não são o meu forte, que, mesmo sem te conhecer muito bem, quero fugir contigo.

Até porque não tenho mais idade para esconder isso. Principalmente de mim. Os sentimentos estão à flor da pele, as vontades vêm com nome e sobrenome e quanto mais velha vou ficando, mais certa fico das minhas vontades.

Por outro lado, às vezes fico me pergunto como alguém consegue sentir isso que sinto, essas paixões, em poucos dias, poucos meses? E, em prontidão, respondo: não tenho a mínima ideia!

Parece carência, coisa de gente que toma remédio até para dormir ou que envia mensagens para os ex-namorados pela madrugada, eu sei, mas não é. Eu sou assim, e acredito que seja um mal da alma.

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Eu não sei até aonde vai essa sensação e esse frio na barriga, mas, sinto até hoje. Apaixono-me, sei sentir, deixo-me levar por vontades sem sentido ou explicações, e essa sou eu. Mas, por favor, só não me cobres palavras, não sei lidar muito bem com elas.

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