Depressão não é pieguice, preguiça ou ingratidão diante da vida e de Deus. Depressão é desconexão da alma.

Antes de ter depressão, eu tinha uma curiosidade arrogante diante das pessoas deprimidas. Achava que sabia o que elas sentiam, e ficava indignada pela pouca força de vontade que apresentavam.

Na minha ignorância, achava que o que elas sentiam era o mesmo que eu experimentava na TPM, um misto de sensibilidade com irritação, algo perfeitamente contornável com uma caixa de bombons.

Eu era tão desentendida que não consegui identificar minha própria depressão. Porque eu imaginava que depressão era sinónimo de tristeza, e não reconheci que aquela perda de sentimento, aquele distanciamento da minha essência, aquela falta de sentido e aquele entorpecimento que eu experimentava era depressão.

Não sei dizer o momento exato em que a depressão chegou. Também não consigo encontrar um motivo específico que tenha sido o gatilho para ela manifestar.
Ao mesmo tempo que havia muitos motivos, não havia nenhum. De repente eu era indiferente às conversas, ao trabalho, aos livros, ao dia que começava, à vida. Fiquei anti-social. Encontrar com as pessoas, manter uma conversa, receber um telefonema… era uma agressão. Eu me agasalhava demais, mesmo em dias quentes, como se o excesso de roupas pudesse me proteger e me isolar do mundo.

Relacionar-me com as pessoas era exaustivo, exigia um esforço sobrenatural. Eu procurava disfarçar a minha desconexão, não dava bandeira da minha apatia, mas algumas pessoas notaram. E elas foram fundamentais para minha cura.

Não tentaram me divertir. Não tentaram dizer que a vida é linda e que eu tenho que valorizar. Não insistiram para que eu dançasse ou risse de uma piada.

Nada disso teria funcionado, e poderia afundar-me ainda mais. Elas acertaram quando me olharam com firmeza e disseram, seriamente, que eu deveria procurar um médico.

Foi o que fiz. Fui diagnosticada com depressão, comecei a tomar remédios, ajustamos as doses e após um mês de adaptação (que pareceu uma eternidade) já me sentia melhor.

Voltei a reconectar-me comigo mesma, ganhei energia, passei a sair da cama bem disposta.

Além dos benefícios esperados, tive outros ganhos. Curei-me de diversas dores que eu, frequentemente, tinha e que médico algum conseguia resolver. Descobri que as dores _ que me acompanhavam há mais de dez anos _ eram psicossomáticas, e só se curaram com o antidepressivo.

Talvez, se a depressão não tivesse se manifestado na sua forma mais nítida, eu jamais teria descoberto que as minhas dores físicas (e muito reais!) eram sintomas de um desequilíbrio emocional.

Talvez, se eu não me tratasse da depressão, eu continuasse passando noites em claro, com insónia, como costumava ser minha rotina.

Depressão é desconexão da alma. Desconexão com a realidade, com o convívio social, com nós mesmos. É distanciamento da razão de existir e de estar aqui. É a descoberta de que o oposto da depressão não é a felicidade, e sim a vitalidade.

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A pessoa deprimida não está assim porque quer. E não é forçando-a a fazer exercícios, a rir de uma piada ou se reunir com amigos que a irás ajudar.

Talvez possas ajudá-la fazendo-a entender que não vai ser sempre assim. Levando-a a acreditar que, com fé em Deus e na medicina, isso também vai passar. Ajudando-a a confiar que, em algum momento, a cura vai chegar, e ela será grata por recuperar a vitalidade e a vida…

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