“Ela sempre doava-se por inteiro e desiludia-se. E, um dia, sozinha no meio à sua escuridão, para que não se perdesse para sempre, como que por instinto de sobrevivência, passou, lenta e dolorosamente, a voltar os olhos para si mesma.

Foi se descobrindo como um alguém, foi se vendo como uma pessoa, dando as mãos ao que havia de melhor dentro de si, pois sempre há, por mais que tentemos enterrá-lo.

O amor próprio finalmente tomou conta dos seus sentidos e o espelho tornou-se o seu aliado, complementando a inteireza das suas verdades mais íntimas.

Não, não mais aceitaria migalhas, não mais colocaria a felicidade lá fora, não mais se culparia pela covardia alheia. Hoje ela ainda não sabe muito bem o que quer, mas tem certeza do que não quer, do que não aceita, do que jamais trará para junto de si.

Agora ela ama-se e ninguém mais poderá ferir o seu coração. Ela é linda, porque se sente linda e isso basta. Dizem que ela é difícil e fechada para o amor. Ela, porém, apenas tem a certeza e a determinação de não permanecer perto de quem não sabe o que é troca, partilha cumplicidade.

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Ela ainda iria partir a cara, óbvio, mas agora saberia distinguir qual era o peso dela naquilo tudo, não mais acumulando somente em si mesma as responsabilidades para o amor dar certo. E ela seria feliz, simplesmente porque ela estava pronta para amar de verdade. Agora ela era alguém de verdade.

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