Muitas vezes não somos chatas. Estamos exaustas. Entender o que faz uma mulher estar chata vai muito além do que taxá-la de neurótica ou de mal-humorada. Quanta sensibilidade se faz necessário para isso!

Para nós, nada mais óbvio. Para tantos, frescura, chilique. Só precisamos que colaboradores percebam de facto, o que estamos a expressar.

Os homens têm uma capacidade de se organizarem para eventos infinitamente melhor do que nós, mulheres; e confesso que é admirável esta adaptação de muitos deles. Os inúmeros compromissos inadiáveis que envolvem trabalho, o pequeno almoço tranquilo, o trajecto até o trabalho em paz,  o banho sem demora… como é bom fazer tudo sem estar com os minutos cronometrados gritando no seu ouvido: acelera que estás pelo menos 10 minutos atrasada para qualquer coisa que irá fazer.

Confesso que sinto uma inveja boa de pessoas que agem com calma; e uma inveja maior ainda de todos aqueles que sabem muito bem dividir as suas tarefas, assumir os seus compromissos, sem alterar a sua agenda, dando prioridade para tudo aquilo que realmente queiras fazer, que te dê prazer de facto e não só por obrigação.

Claro, todos nós temos obrigações e isto faz parte do jogo da vida… e vou além, acho muita futilidade quando um adulto não tem um propósito nesta vida.

Admiro a todos aqueles que sabem do valor dos seus compromissos e respeitam as suas rotinas como uma questão religiosa, sem abrir mão por banalidades. Mas, e a mulher, cumpre a sua agenda ou acaba por cumprir se der? Fica à mercê do contexto que a cerca, fugindo do próprio controle, pois no meio do trabalho, a escola liga que o filho tá doente, e ela tem que levá-lo até o médico, e se esquece que tem uma reunião importante com o director da empresa, mas a maternidade vem em primeiro lugar, sempre, não é? Os compromissos fogem muitas vezes, do nosso controle.

Quando o problema envolve filhos, marido, casa, pais ou uma urgência super urgente, sempre arranjamos de adiar nossos compromissos que poderiam não ser adiáveis se estivessem na agenda de um homem.

O tempo vai passando, vamos driblando e vivendo e a exaustão acaba por tomar conta dos nossos dias. O grande problema disso tudo é deixamos as nossas prioridades, os nossos compromissos como itens a ir para o final da fila e enumeramos tantos outros que, para nós, seriam muito mais irrelevantes, mas que, para um bem comum, abrimos mão. Não estou a dizer que homens não se importem com nada disso… alguns sim, claro. Mas confesso que conheço poucos. A maioria tem a assessoria da mulher nessa rotina toda.

É aquela velha piada: antes de sair de casa, a mulher ajeita a bagunça, molha as plantas, arranja as crianças, liga para os pais, tira a roupa do varal, descongela o frango e quando, finalmente, vai arranjar-se, ouve o marido dizer “Ainda não estás pronta?!”.

Há homens nos dias de hoje, que dividem tudo com as mulheres… conheço muitos. Mas quando o assunto é priorizar os seus compromissos, esses mesmos homens conseguem ser  mais fieis às suas agendas do que as mulheres que vivem com eles.

A conclusão que chego é: há mais mulheres cansadas no mundo do que chatas; é muito mais fácil dizer que a mulher é mal-humorada do que perguntar se ela está feliz, se precisa de ajuda.

Percebe-se que ela está diferente, talvez… mas perguntar por perguntar, para que? Sinto que para muitos é assim… para tantos não. O grande problema: os muitos!

Mulheres, em geral, só estão cansadas. Cansadas de dar conta de tudo, cansadas de “dar um jeito” e de, mesmo assim, estarem sempre no final da fila. Principalmente na final da fila da sua própria vida.

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Eu sou Daniella Prado, uma mulher que luta, todos os dias para estar na ponta da frente da fila da própria vida.
TEXTODaniella Prado (adaptado)

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