Se existe uma mensagem que a cultura popular enfiou nos nossos cérebros de forma unânime é a de que só existe um amor verdadeiro. Essa concepção dos afetos ganha uma força especial na adolescência, momento em que se costuma sentir pela primeira vez os comichões da paixão, o que nos leva a uma outra ideia, derivada da anterior e igualmente muito valorizada: a de que o primeiro relacionamento a gente nunca esquece.

Enquanto elas duram, desfrutamos da intensidade das primeiras experiências emocionais. Há quem encontra estabilidade e felicidade com o seu primeiro parceiro, mas, para além de casos pontuais, a segurança e a serenidade proporcionadas por um amor adulto geram uma melhora na saúde emocional e afetiva. Mesmo não se constituindo no tema predileto dos poetas.

Extinguir o mito da alma gémea
Caberia perguntar, então, se essa concepção do amor que nos é inculcada desde a infância pode ser reprogramada. Ou, em outras palavras, se é possível aprender a amar ou se estaremos sempre repetindo os mesmos erros. “A capacidade de confiar, amar e resolver conflitos com os entes queridos começa na infância, muito antes do que se imagina”, afirma uma análise sobre diferentes textos publicada em Current Directions in Psychological Science. “Antes mesmo de que se possa lembrar delas, antes de possuir a linguagem para descrevê-las, e sob formas não conscientes, as atitudes implícitas são codificadas pela mente”. No entanto, embora o fato de que essa configuração nos acompanhe por toda a vida possa parecer pouco alentador, os próprios pesquisadores avaliam que os “velhos padrões podem mudar”.
Segundo eles, os novos vínculos têm a capacidade de alterar esses modelos e, portanto, o comportamento face aos relacionamentos, de forma que mesmo uma pessoa que não aprendeu a amar durante a infância pode fazê-lo na vida adulta.

Segundo uma pesquisa britânica, as pessoas desfrutam mais as relações amorosas  a partir dos 40.
Para Epstein, a chave é que ambos “abriguem sentimentos reais de respeito mútuo, atração e admiração”. Ele considera que para manter o amor ao longo do tempo é necessário que ambos sejam “pessoas maduras, honestas, que não estejam na defensiva, saibam estabelecer empatia e compartilhar o sentido do humor”.

Pessoas felizes, relações felizes
O que parece evidente é que quando tivermos claro o que queremos, mais simples será conviver em harmonia com outra pessoa.

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As possibilidades, portanto, de que o segundo amor (ou o terceiro, ou o quarto) seja melhor do que o primeiro são muito poderosas. Não só a experiência de relações passadas, mas o facto de nos encontrarmos num momento pessoal mais sereno e satisfatório que na primeira juventude, faz com que enfrentemos as novas relações com armas mais úteis para conseguir que funcionem. Aprendemos comos  nossos erros anteriores e sabemos melhor o que esperar da outra pessoa. “Para que exista entre os dois uma verdadeira aprendizagem, para além do estar apaixonado, é vital partilhar experiências positivas e negativas. A esse respeito, os amores adultos estão mais receptivos que os primeiros”, arremata Callao.