O choro esvazia toda a dor que nos oprime a essência, para que ela possa novamente vir a ser preenchida com fé e com esperança. Podes chorar.

A vida não é fácil e, não raro, vem com tudo, derruba tudo o que encontra pela frente. Viver nem sempre é calmaria, haja vista as tempestades que se formam, de maneira imprevisível. E a gente se quebra e diminui-se, a gente perde pessoas, perde oportunidades, perde sonhos, amores, perde tempo. É preciso chorar. Ou implodimos por dentro.

Quando a dor da decepção esgarçar a alma, derrubando por terra todas as confianças depositadas em quem usou o seu melhor de maneira desumana e cruel. Quando as pessoas retornarem o oposto da fidelidade que lhes ofereceste, traindo e denegrindo a integridade por que sempre foram pautadas as tuas ações. Podes chorar.

Quando regas o teu diariamente, com verdade e entrega integral, interessando-te pelo outro, olhando-o nos olhos e segurando-lhe as mãos com todas as tuas forças, sem retorno afetivo. Quando dizes “bom dia”, sorris por simplesmente o outro estar ali na frente, és grato por amar, mas sem volta. Quando não há reciprocidade. Podes chorar.

Quando nada dá certo, ninguém te entende, ninguém te ouve, nada de bom existe ali por perto. Quando o desânimo invade, a tristeza toma conta e a angústia sufoca o peito, faz tremerem as mãos, faz a cor desaparecer do mundo lá fora. Quando é tanta porrada, que dói tudo, dói a alma, dói a dor da desesperança e da solidão. Podes chorar.

Quando a amizade fere, ignora, não responde, não procura, não vem junto e percebes que somente da tua parte havia luta, havia parceria, havia cumplicidade. Quando nem era amizade, nem era estima, nem era nada, somente tu a gritares ao eco solitário do retorno vazio. Podes chorar.

Ninguém consegue sufocar e calar, quando a tristeza quer achar uma saída, quando é preciso esvaziar-se de tudo o que fere e magoa a alma. Chora, mas escolhe bem os lugares onde verterás as tuas lágrimas e as pessoas que serão dignas o bastante para assistir ao teu pranto e entender os teus sentimentos, sem usá-los em proveito próprio.

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É dessa forma, afinal, que iremos esvaziar toda a dor que nos oprime a essência, para que ela possa novamente vir a ser preenchida com fé e com esperança. É assim que a gente recomeça e volta a sorrir de novo.

TEXTOMarcel Camargo