Esta é a Era do exibicionismo e da necessidade de aparecer. É normal que queiramos contar as boas notícias, mostrar as nossas vitórias, partilhar com quem gostamos tudo que conquistamos, seja no ponto de vista material, emocional e espiritual.

Porém, esse processo de exposição precisa ser feito sem deslumbramento, com maturidade para não nos sujeitarmos forçosamente, uma vez que esse comportamento deixa de ser uma forma de comunicação e passar ser exibicionismo. Uma necessidade de supervalorização, seja por parte dos outros ou de nós mesmos.

O exibicionismo possui uma genealogia hostil, uma vontade inconsciente de revelar as genitálias, entretanto, isso é impossível diante do princípio da realidade. A negação do exibicionismo pode dar vazão as agressões físicas, verbais e insinuosas, que estão latentes ou escancaradas.

Essas coisas estão ligadas ao sentimento de inferioridade, uma necessidade de chamar a atenção alheia – para mostrar que se tem sucesso, fama, dinheiro, carros, títulos ou até mesmo capas de telemóvel. Vivemos na era do exibicionismo, em que a grande média vende a ilusão que se pode ter tudo que ser, contudo, ela não diz que isso tem – um custo elevadíssimo, que é o endividamento financeiro e o aumento da ansiedade e da angústia.

A redes sociais transformaram-se num grande termómetro do exibicionismo, uma realidade artificial – que se alimenta das carências afectivas ou emocionais, que procura através de likes ou comentários aumentar auto-estima, para se convencer daquilo, que não se tem certeza em si mesmo.

Está provado se não for possível conseguir a satisfação num nível mais profundo, inevitavelmente se procurará fora. Mas se auto-estima estiver consolidada, não será preciso ficar se expondo, porque se conquistou a inteireza e a confiança em si mesmo e sem a obrigação de clamar atenção dos outros.

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Uma coisa é facto de que nós seres humanos não somos auto-suficientes e não conseguimos manter a nossa existência isolada, carecemos de outros seres humanos.

Entretanto, a melhor forma de sermos lembrados é sermos nós mesmos, do que alguém que somente gosta de aparecer. Quem gosta de nós de verdade, vai gostar do jeito que somos e não do jeito que a média, a propaganda e redes sociais querem que sejamos.

TEXTOJackson César Buonocore

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