És a minha miúda!

Este fim de semana, várias vezes preparei-me para o adeus. Fechei portas internas que havia aberto, o vão escuro da porta entreaberta assusta-me, fechei os olhos e o coração para não me magoar e chorei o que há anos não chorava.

Mesmo que eu goste de chorar, não sei, faz-me sentir vivo, como se estivesse a ser sincero com os meus próprios sentimentos.

A verdade é que quem não chora, por medo de parecer vulnerável, não sabe amar e sofrer quando necessário, segurar as lágrimas é coisa de amador no quesito amar.

A ansiedade de poder voltar a ser feliz a qualquer instante é boa, mas também tão cruel. Acontece que o sofrimento retarda o tempo, cria esperanças e ao mesmo tempo uma vontade louca de desaparecer mas, por ela, eu não seria medroso a ponto de desaparecer.

Por ela, dou todo o meu tempo, amor, carinho, mimos e um pouco mais de tempo, caso necessário.

Por ela, cedo as minhas ansiedades e palpitações em prol da sua estabilidade emocional.

Por ela, cedo a minha vontade, sufocante, de sair correndo procurando-a, pelo receio de atrapalhar o tempo que ela precisa para conversar com o próprio coração.

Ah, se ela soubesse como estou a segurar uma manada de sentimentos dentro de mim; a minha ansiedade vira mil folhas quando se trata de amor.

Com ela já me engasguei para falar sobre o amor, hoje, não quero perder mais um minuto se possível. Fica comigo? Eu adoro-te! Eu quero-te tão bem! Posso ser precipitado quando o quesito for dizer o que eu sinto por ti?

Com ela eu errei em detalhes que as pessoas normais jamais errariam. Nunca me senti tão mal por carregar as minhas diferenças comigo. Nunca me senti tão mal por deixar a minha pluralidade ser tão egoísta, mesmo que ela, infelizmente, faça parte de mim. Acontece que as minhas indecisões matam, mas eu nunca deixaria que matassem o meu amor por ela.

Saudades de quando a gente podia falar o que vinha à cabeça sem pedir licença. Se eu pudesse ter outras maneiras de demonstrar o quão gosto dela, eu faria. Gritaria pelas ruas, colocaria faixas escritas penduradas nos prédios, mandaria telegramas com selos raríssimos e deixaria o cantinho dela na cama separado por toda eternidade.

Não sei se por toda eternidade, mas, pelo menos, até eu descobrir se ela ronca ou não. Na verdade, eu sei que ela ronca, mas, convenhamos, o que é um ruído grave de respiração, perto da sensação de acordar todo dia ao lado dela? E só eu e ela sabemos o quão bom é o nosso despertar.

A nossa relação sempre foi diferente. Diferente até das vezes que, para mim, já foram diferentes. Não sei onde ela está. Se esta preocupada a tentar desgostar cada vez mais de mim, se preferindo perder a alma da nossa relação em troca do vazio frio e mutuo em que vivíamos, se está à procura homens que preferem batata doce a pizza, ou que sejam mais maduros com as coisas chatas e banais da vida.

Ela, sem duvidas, nesta fase da minha vida, é a minha miúda. E olha que já lhe disse isso centenas de vezes. Posso falar a centésima primeira? – És a minha miúda! Mas claro, isto só se ela ler este texto… mas não sei se ela leria, ela nunca foi de ler as coisas que escrevo.

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PS: Na escrita digo as mesmas coisas que digo com os olhos, mas não sei proferir com a boca. Vivo intensamente e não tenho medo de perder o meu orgulho, mas quem amo.

TEXTOFrederico Elboni (Adaptado)

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