Eu não queria sentir esta saudade. Não queria ter medo da regularidade com que ela me visita antes de deitar. Será que é tão difícil tornar o beijo contínuo e a saudade passageira?

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Será que entre o hiato do amor e da saudade, não há como existir somente a alegria do vivido?

Mesmo andando de mãos dadas com a euforia de viver, algumas vezes, diante de certos sentimentos, faltam-me as palavras. Faltam, pois tenho medo dos grandes sentimentos. Medo de senti-los, me acostumar com eles e, como quando o sol se cansa de iluminar a todos, ele se pôr. A verdade é que o meu coração está preparado para amar, mas não sei sentir saudades!
Não há como negar que pensando nelas corro contra o tempo. Procuro sensações do passado, encaixo-as na minha realidade actual e, como se fosse possível e saudável, crio cenários de viver isso novamente.
Definitivamente, eu não sei sentir saudades.

Sendo há um bom tempo turista dos amores alheios, faço caridade, guardo os meus sentimentos no olhar e aceno com os lábios, como quem diz que onde quer que a gente vá, que levemos o nosso coração. E eu sempre levo, pois, a gente só abre o coração dos outros quando abrimos os nossos. Sim, os nossos.
Então, mesmo com a saudade que insiste ser vizinha, se eu pudesse, continuaria tendo dois corações. Um para amar, e outro também.