“Felicidade é uma vibração intensa. É o momento em que eu sinto a vida em plenitude dentro de mim e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de ser inundado por uma alegria imensa por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado contínuo. Felicidade é uma ocorrência eventual. Felicidade é sempre episódica. É sentires a vida a vibrar, seja num abraço, seja na realização de uma obra, seja numa situação em que seu time vence, seja porque algo que fizeste deu certo, seja porque ouviste algo que quis ouvir….É claro que aquilo não tem perenidade. Aliás, a felicidade, se marcada, pela perenidade seria impossível. Afinal de contas, nós só temos a noção de felicidade pela carência. Se eu tivesse a felicidade como algo contínuo eu não a perceberia. Nós só sentimos a felicidade porque ela não é contínua: isto é, ela não é o que acontece o tempo todo em todos os modos.
A ideia de felicidade sozinha, ela teria que ter uma questão anterior: se é possível viver sozinho.
E como felicidade, pelo óbvio, só acontece com alguém que vive e viver é viver com outros e outras, e como não é possível viver sozinho,  a possibilidade da felicidade isolada, solitária é nenhuma.

Para que eu possa ser feliz sozinho eu teria que ser capaz de viver sozinho.
Mesmo na literatura, como Robinson Crusoe, por exemplo, que lida com o homem que está só, mas ele está só, depois de ter convivido com os outros. Ele traz as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte.

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Não há história de ser humano em que ele tenha sido sozinho da sua geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade de ser feliz sozinho”. Mário Sérgio Cortella