Este jovem espancado no passado dia 14 de Junho, pelas 5h15 em Santos (Lisboa) conseguiu sobreviver por muita sorte.
“Tu que estás aí a fazer scroll à toa!! Só te peço um minuto! Porque há esperança, basta querermos mudar! Este é o João (nome fictício) e sobreviveu a um episódio de agressão violenta que pôs a sua vida em risco!

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No passado Domingo dia 14 de Junho, pelas 5h15 em Santos (Lisboa) eu e a Sara esperávamos pelo comboio das 5h30 quando subitamente aparece um grupo de rapazes na casa dos 20 agredindo um rapaz SEM MOTIVO APARENTE! O PÂNICO INSTALA-SE! A estação está cheia, as pessoas andam para um lado e outro desorientadas! Não há por onde fugir! O João (amigo da vítima) mete-se à frente do agressor para ajudar o amigo quando é atirado ao chão.
Impulsivamente a Sara corre em direcção ao agressor “MAS O QUE É QUE ESTÁS A FAZER, PÁRA!! PÁRA!!!” enquanto tenta separá-los. De cerca de 60 pessoas a assistirem NINGUÉM INTERVEIO!!! O meu coração parou, fiquei ali, imóvel… quando vejo o pé do agressor vir atrás, balouçando com TODA A FORÇA QUE TINHA sobre a parte lateral da cabeça do João, como quem chuta uma bola de futebol e acerta na baliza (conseguem imaginar a força?!), deixando-o imediatamente INCONSCIENTE!
O pontapé foi de tal forma BÁRBARO que mesmo a 50 metros de distância, ouço ainda o ecoar do pé a bater contra aquele crânio (são imagens que me vêm à mente várias vezes ao dia). Mais um pontapé igual e o João não teria ficado com danos neurológicos, mas teria de certo perdido a sua VIDA! Tive que agir! Peguei no telemóvel e liguei para o 112 a pedir assistência imediata (ambulância e polícia) enquanto a Sara tentava parar a violência que o agressor insistia em descarregar no João, mesmo vendo-o inconsciente.
As pessoas olhavam, não se mexiam, não sabiam pegar na porra de um telemóvel que tanto serve para saber da vida dos outros. O comboio chega. Eu a Sara e o seu amigo tentamos levantá-lo do chão para sentá-lo na primeira carruagem. O corpo do João está demasiado tenso, empurrando com força as portas do comboio recusando-se a entrar. Os olhos dele estão totalmente abertos. Mas o olhar está perdido. João está agora em choque, perdendo noção do controlo do seu corpo.

A mente apagou, embora tenha os olhos abertos. Conseguimos fazê-lo entrar. As portas fecham, e na carruagem seguinte, estão os dois agressores. Chamo por ele com a sua face entre as minhas mãos que contrariamente à minha voz tremiam que nem varas “João, olha para mim! João fala comigo!”. Ele não me ouve. O sangue não para de correr. Tem a camisola encharcada, assim como a Sara que tenta fazer o melhor que consegue. Tento sentá-lo e acalmá-lo “João, ficas comigo.
Eu tenho carro, vou-te levar ao Hospital”. João regressa. Eu pergunto-lhe se ele está bem. Conto-lhe o que acabou de se passar mas ele NÃO SE RECORDA tal foi a brutalidade daqueles monstros! Entretanto a Sara vem ajudar-me com o João, quando aparecem novamente os agressores. Apesar do medo de poder ser agredida, mete-se à frente mais uma vez para defender o João. O comboio está cheio. Vira-se um passageiro “Ei, filma isto, porrada meu puto”.

A Sara estava para lhe partir o telemóvel. Ninguém se mexe. O comboio está em movimento e não há por onde fugir. Desloco-me para outra carruagem e ligo mais uma vez para o 112 enquanto que o João continua a ser espancado. Chegamos a Algés. As portas abrem! Bato desalmadamente na porta do maquinista e peço ajuda à frente do agressor (por segundos pensei que ficava já ali). A sara continua a tentar separar. Sem resposta bato na janela.
O nojento do maquinista baixa a janela “Chame a polícia, eu preciso de ajuda depressa por favor, depressa!”. Resposta: VOCÊS TÊM QUE SE DESENRASCAR SOZINHOS!! E fecha-me a janela na cara, com um rapaz a ser agredido. O agressor acerta na Sara e SÓ ENTÃO é que se levanta um homem para ajudar. Ás tantas lá aparece a polícia, que nada pôde fazer a não ser separá-los. queixa será apresentada. Vocês todos que assistiram e não fizeram nada, tenham VERGONHA em deixar uma pessoa morrer no passeio!!
Chegando ao Hospital, o João diz ao homem da secretaria q ñ tem dinheiro para pagar a ambulância. E ele “mas se não tem dinheiro, não pode ser assistido. Tem que ter dinheiro!”(embora tenhamos a possibilidade de pagar posteriormente, foram de facto estas as palavras do senhor). E eu “pois, neste país quem não tiver 20€ morre por falta de assistência!”. O senhor lá mudou a sua postura, mas pagámos a urgência para não alimentar a discussão.
O João teve sorte, talvez porque fosse o dia de anos dele (fez 21 anos) Se eu e a Sara não tivéssemos perdido o comboio da 1h30 e não tivéssemos 20€ o povo tinha deixado o João na MERDA. Como é que vivemos no sec. XXI e ainda há violência assim? Como é que fica tudo a olhar? Porque o próximo podes ser tu! Não vão haver Saras e Felicias. E depois? Como vai ser? E a igualdade de género? Como é que só ajudam quando é a mulher a vítima? Então e o homem? Merece levar porrada? E que merda de sistema é este da CP que andamos todos a dar o cu para pagar o passe e depois nem a polícia conseguem chamar, viram-te costas?! Como é que descontamos uma vida inteira e nem direito a assistência médica temos? O Governo é o reflexo do povo. Pára de tornar as Manifs em actividades lúdicas e começa por mudar as tuas atitudes. Eu quero ter esperança na minha geração.

FONTEFelicia Mar Vieira

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