Os psicopatas são pessoas aparentemente normais que estão no trabalho, em casa ou na escola e têm em comum algum transtorno de personalidade.

A psiquiatra Kátia Mecler prepara a segunda edição do seu livro “Psicopatas do Qutidiano“, lançado em agosto deste ano.

A OMS realmente não considera a psicopatia como uma categoria médica. Schneider, no livro “As Personalidades Psicopáticas”, de 1923, tratou de pessoas cuja personalidade foge à média normal e que sofre ou causa sofrimento por causa de sua anormalidade.

Essa definição é bastante próxima daquilo que tanto a OMS quanto a Associação Americana de Psiquiatria consideram hoje um transtorno de personalidade e comportamento. A principal motivação para escrever o livro foi perceber o sofrimento dos pacientes que lidam com indivíduos que têm transtornos de personalidade.

Muitos chegam com a auto-estima arrasada, num grau de stress emocional inimaginável. Procuraram ajuda especializada por considerarem que têm algum problema, quando, na verdade, o problema está no outro.

Os psicopatas do quotidiano injetam sentimento de culpa, impotência e inadequação naqueles que estão à sua volta. Pais que sufocam os filhos com uma vigilância sem limites, homens e mulheres envolvidos em relações amorosas excessivamente dependentes, pessoas que sofrem com parceiros manipuladores e transgressores, funcionários sufocados por chefes abusivos, enfim, um universo de situações que podem se repetir na sua casa, na sua escola, no seu trabalho.

Pela sua definição, os psicopatas do quotidiano são pessoas com transtorno de personalidade, que é uma forma de ser inflexível, rígida, que envolve sentimentos ou sensações, pensamentos ou comportamentos repetitivos que acarretam disfunção em alguma área da vida. São tipos com que todos nós convivemos, que exibem traços patológicos de transtorno de personalidade. Ou seja: sempre agem da mesma maneira, não admitem ser confrontados, não enxergam problemas em si.

Vivemos uma época de super exposição da vida pessoal, da intimidade. De ter é melhor do que ser. As pessoas estão conectadas 24 horas por dia, exibindo os seus corpos, os seus bens materiais, os seus relacionamentos. O conceito de privacidade mudou. Nesse contexto, pessoas com tendências ao egocentrismo, à vaidade excessiva, à manipulação, à mentira, à sedução sentem-se muito à vontade. São características que perpassam os quatro tipos do grupo B. Porém, cada um deles tem traços próprios.

No caso dos anti-sociais, falamos de pessoas manipuladoras, transgressoras, que colocam os seus desejos e necessidades acima de qualquer coisa. Agem como parasitas sociais, sugando as energias emocionais do outro. E não têm constrangimento em usar e descartar quem quer que seja. Os borderlines são instáveis, passam do amor ao ódio em segundos. Podem assumir comportamentos de risco e tendem à auto-mutilação e ao pensamento suicida. O narcisista, de maneira bem simples, é aquele cidadão que chega e pergunta: “Sabes com quem estás a falar?” É alguém que se considera acima do bem e do mal, tão especial que não precisa seguir regras. Já o indivíduo com transtorno de personalidade histriónico poderá ser reconhecido pela tendência à dramaticidade, à necessidade de estar sempre sob os holofotes.

Tanto a OMS quanto a Associação Americana de Psiquiatria estimam que cerca de 10% da população têm um ou mais traços patológicos de transtornos de personalidade. A mera presença de uma característica (típica de um problema psíquico), sem trazer tantos prejuízos, não é suficiente para definir a doença.

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No trabalho, em família ou na sociedade, há alguns caminhos para conviver de maneira menos traumática com um psicopata do quotidiano. O primeiro passo é entender que não és a única vítima. Pessoas com esses traços agem da mesma forma com todos. Confrontá-los não vai adiantar. Dificilmente uma pessoa com essas características compreende que tem um problema – ela acredita que o problema são os outros. Quando compreendes que o teu chefe é daquela forma e que não vai mudar, aprendes a defender-te e a reagir melhor.

FONTEO Segredo

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