Há dias que acordo com vontade de saltar pelos ares e correr pela rua, feito idiota, gritando aos quatro cantos que a minha alegria é grande feito uma baleia azul. Maturidade. Essas coisas. Mas há dias que quero me esconder no baú da cama box, desaparecer deste mundo e das suas regras chatas, comer qualquer coisa que me resta no frigorifico e, principalmente, não ter que ser generoso com ninguém quando me perguntam se estou bem. Ranzinzice. Essas coisas.
Sinceramente? Não sei se eles pensam que por fazer o que eu amo, não tenho dúvidas sobre o amanhã. Acontece que, por viver uma alegria de encontro tão grande, o que eu mais tenho é medo do amanhã; até quando vai essa brincadeira de ser eternamente feliz? Parece que eles não sabem, mas, para ser feliz, mesmo fazendo o que se ama, é preciso de uma enorme animação diária. É um eterno “pára de te comparar com os outros”; um eterno “agora não dá para desistir”; um eterno “cala boca e continua, porra!” – com palavrões, claro, só para dar aquela acordada!
Se eu tivesse que voltar no tempo, sem dúvidas, eu trocaria todas as minhas fichas, os meus amores, os meus medos e as as minhas alegrias, só para descobrir o que eu realmente gosto de fazer. Acontece que quando a gente encontra com o que ama trabalhar, junto a esse amor, também descobre um amigo fiel para vida inteira. É um encontro de anos, é uma felicidade que conversa com calma conosco e – GRAÇAS A DEUS! – não desaparece de supetão. É uma paixão mansinha, é algo que faz a gente voar, sorrir pelas manhãs e nos questionar por qual motivo perdemos tanto tempo tentando encaixar algo externo que nunca coube no nosso, tão nosso, interior.

Então, sei lá, não percas tempo procurando amores, eles vêm. Acontecem, na sorte, no improviso, no gingado do dia a dia, basta um coração aberto e uma pitada de sorriso no rosto. Ninguém captura um amor como quem captura um Pokémon. Infelizmente. Então, procura o que gostas de fazer, qual a tua paixão; as nossas paixões sempre serão os nossos melhores amigos. E que a procura não seja por algo que não podemos mensurar a possibilidade de encontro, mas por algo que mesmo sendo rotineiro, como todo amor perene, nos traga brilho e alegria de fazer o que fazemos. Gastar energia à procura de algo que não depende de nós é sempre uma enorme tolice.

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É querer controlar o que temos de mais frágil: o futuro. Ter a convicção do valor que a gente tem no mundo, e que fazemos algo para melhorá-lo, é uma auto-estima sadia demais para ser esquecida em respostas genéricas cheias “ano que vem” e “esse ano tá lixado”.
Procura o que te traz alegria de viver, o que te faz vibrar enquanto o tempo dos outros só passa; a gente precisa se sentir importante e especial fazendo o que faz. Então, pensa, procura a tua paixão, seja ela qual for: viajar, cozinhar, pilotar helicópteros, dançar ou cuidar de uma fazenda, assim a vida fica saborosa e leve de ser vivida. E quando a gente descobre essa alegria, acredita, as outras alegrias, como os amores e a vontade de ter uma casinha com cerca branca e animais a correr pelo jardim, vêm como num passe de mágica…