“Se fôssemos moscas e estivéssemos no recreio de um liceu, ficávamos boquiabertos com o que ali acontece.”

Tornou-se “elevadíssimo” o número de jovens, entre os 12 e os 16 anos, cujos pais contactam a advogada Paula Varandas para os defender em tribunal. Os crimes em causa vão de tráfico de droga ao roubo e furto, passando por ofensa à integridade física qualificada e à difamação, através do ciberbulliyng.

Para a advogada a violência. No namoro, por exemplo. Começa logo na linguagem que usam entre eles, jovens namorados. É mesmo brutal, no sentido pejorativo. Desde palavrões, “vai para ali, vai para acolá”, a baterem-se mutuamente. E o pior é que consideram isto normalíssimo.

Paula Varandas concluiu que se um jovem cresce num meio em que a violência entre o pai e a mãe é recorrente, o rapaz ou a rapariga vão interiorizar que esses são os parâmetros normais de um relacionamento.

Para agravar ainda mais a situação, a violência nas escolas agravou-se e de acordo com a advogada: “Se fôssemos moscas e estivéssemos num pátio de liceu durante o recreio, ficávamos boquiabertos com o que ali acontece. Mas entre eles é normalíssimo. “Tu és isto, tu és aquilo”… são mimos recorrentes que trocam. E batem-se muito mesmo.

A maioria dos estudantes dos liceus nem sabem que existe um Código Penal. Se forem alvo de um processo, acham que vão a tribunal só responder a umas coisas e o assunto acaba aí. Não têm noção das consequências que podem sofrer.

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Hoje em dia, os professores: “estão de mãos e pés atados porque, se repreendem os estudantes, sujeitam-se a ser alvos de um processo. Mas se avançam com participações, é nessas alturas que os pais aparecem, frequentemente com uma atitude hostil. Até se chegar a este ponto, por certo o professor enviou avisos para casa, que não foram tidos em conta“, afirma a advogada.

TEXTOJ. Plácido Júnior
FONTEVisão


 
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