Ser amiga não é apenas partilhar uma chávena de café, uma conversa e umas gargalhadas, e muito menos ser um mero ombro amigo. Ser amiga é dominar a arte do tempo certo. O tempo certo para deixar a vida acontecer e o tempo certo para apanhar os cacos depois da vida ter acontecido. O tempo certo para manter o silêncio e o tempo certo para gritar aquele “deixa-te de merdas”. Ser amiga é saber ser amiga da forma que é realmente preciso e não da forma que gostarias que fosse preciso. Ser amiga é ser uma constante num mundo de coisas temporárias.
Ser amiga é ter paciência para ouvir as tretas dela, dizer-lhe na cara que não passam disso mesmo e nas costas afirmar com toda a seriedade do mundo que são puros rasgos de genialidade.
Ser amiga é ser leal e parcial em todos os sentidos. Ela pode estar numa fase menos boa e cheia de disparates, mas que ninguém tenha a distinta lata de o dizer à tua frente! Ser amiga é perceber que às vezes é preciso que ela se perca antes de se encontrar e que ela tem o direito de errar sem ouvir aquele incrivelmente irritante “eu avisei-te”.

Ser amiga não é nada fácil e não é para todos. Não basta querer ser amiga, é preciso conseguir. Ser amiga não tem a ver com tomar atitudes certas ou erradas, mas antes com tomar as atitudes certas para ela. Gritar com alguém não é bonito, mas às vezes é o certo. Assistir quieta e aparentemente serena enquanto alguém se magoa também não é bonito, mas às vezes também é o certo.

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Ser amiga é dominar a arte do tempo certo e nem toda a gente consegue ser artista. Felizmente tenho a sorte de ter umas quantas artistas na minha vida e para elas um “obrigado” é infinitamente pouco.