Jennifer Kiss-Engele é mãe de uma criança com Síndrome de Down que foi o único excluído da festa de aniversário de um colega de turma. Ao perceber o preconceito que o filho Sawyer sofreu, Jennifer decidiu publicar uma carta aberta direcionada aos pais da criança aniversariante.

Luta contra o preconceito

No texto emocionante, a mãe pede aos pais do colega de classe do seu filho que tenham uma “abordagem mais inclusiva” e diz saber que o convite não foi feito propositalmente e não por um descuido. “Ter Síndrome de Down não significa que não queres ter amigos”, comenta num dos trechos do longo relato.
Mesmo triste com a situação, Jennifer não escreve de uma maneira agressiva. Pelo contrário, ela diz que também não entendia bem o que era a Síndrome de Down antes de ter Sawyer, mas que eles também querem se sentir queridos e ir a festas de aniversário.
Eu sei que pode ser difícil ensinar nossos filhos sobre uma coisa que nós não entendemos. Eu luto contra isso também”, relata no texto de desabafo.

Relato emocionante: lê na íntegra

“Uma carta aberta aos pais que acharam que era OK convidar uma sala inteira para o aniversário da criança exceto o meu filho… partilhando isso porque eu acho que é uma lição valiosa para todos e eu estou tentando educar e defender mais (os deficientes).
Olá, eu sei que nós não nos conhecemos bem, mas o meu filho, Sawyer, e o filho de vocês estudam na mesma sala. Eu sei que o filho de vocês recentemente entregou convites para a festa de aniversário dele para a sala inteira, com exceção de Sawyer, que não foi convidado. Eu também sei que isso não foi um descuido da parte de vocês, foi uma decisão intencional de não incluir o meu filho.
Eu quero que vocês saibam que nós não temos a expectativa de sermos convidados para todas as festas de aniversário. Na verdade, quando Sawyer comemorou o aniversário dele no ano passado, nós só convidamos alguns amigos próximos porque nós queríamos fazer uma festa pequena, já que aconteceu durante as comemorações de fim de ano.
Mas, no caso de vocês, a razão não foi a mesma. Na verdade, vocês convidaram todas as 22 crianças da sala, menos o meu filho. Eu sei que não é por que ele é malvado, vocês não conheceriam uma criança mais feliz. Eu sei que não é por que ele não é engraçado, ele tem um enorme senso de humor e uma risada contagiante. Eu sei que não é por que o filho de vocês e ele não se dão bem, ele já mencionou o nome do filho de vocês em várias ocasiões. A única razão para vocês terem decidido que era ok não convidar o meu filho para a festa de aniversário do filho de vocês é por que ele tem Síndrome de Down.

Eu sinto muito que vocês não estejam informados, talvez com medo, ou incertos sobre o que ter Síndrome de Down significa. Eu sei que se vocês soubessem mais sobre a Síndrome de Down vocês não teriam tomado esta decisão.
Eu não estou com raiva de vocês. Pelo contrário, eu acho que isso é uma oportunidade de vocês conhecerem o meu filho melhor. Ter Síndrome de Down não significa que não queres ter amigos. Não significa que não tens sentimentos. Não significa que não gostas de ir a festas de aniversário. Pessoas com Síndrome de Down querem as mesmas coisas que tu e eu queremos. Eles querem ter relacionamentos próximos, eles querem sentir amor, eles querem contribuir, eles querem ter vidas significativas, e eles querem ir a festas de aniversário. Deve ser mais difícil, às vezes, entender o meu filho. Mas o riso e o amor compartilhados não precisam de interpretação.
Eu quero que vocês saibam que eu também era como vocês. Eu tinha medo, incertezas e era desinformada sobre a Síndrome de Down antes de ter o meu filho. Eu me preocupava muito com a possibilidade dos meus outros filhos não conseguirem se conectar com ele, como outros irmãos fazem.
Ter um irmão com Síndrome de Down ajudou a transformá-los (os outros filhos) em indivíduos com compaixão que sabem que é ok ser um pouco diferente dos outros. Eles não têm medo de ajudar quando eles veem alguém lutando. E eles não têm medo de se aproximarem de quem eles não entendem completamente. Como retorno, eles receberam muito amor e diversão por terem um irmão como melhor amigo deles.
Talvez vocês estejam a lutar com as palavras para falar com o filho de vocês porque o vosso filho não queria o meu filho na festa de aniversário dele. Talvez vocês deixaram o vosso filho decidir que era ok excluir uma pessoa.
Eu sei que pode ser difícil ensinar os nossos filhos sobre uma coisa que nós não entendemos. Eu luto contra isso também. Mas esta é uma boa oportunidade e lição de vida para ensinar ao filho de vocês. 
Eles vão lembrar do tempo que os pais deles disseram a eles que não era OK excluir alguém por causa da deficiência, da raça ou género. Eu sei que vocês querem para o vosso filho a mesma coisa que eu quero para o meu.
Como pais, nós queremos que os nossos filhos sejam queridos, sejam amigos e não que eles sejam deixados de lado. E nós fazemos isso dando exemplos a eles e encorajando eles a fazerem escolhas que eles podem não ser grandes suficientes para compreender completamente.
Mas eles vão olhar para trás um dia com o entendimento e o conhecimento que vocês partilharam com eles. Eu estou certa, que com um pouco de encorajamento, a criança de vocês pode desenvolver uma amizade verdadeira com o meu filho que vai deixar uma impressão permanente e positiva neles para o resto da vida.
Foi só agora que eu percebi que o Sawyer também não foi convidado para vários outros aniversários no último ano. As crianças estão a chegar a uma idade que eles só convidam poucas pessoas para as festas e ele não fez isso.

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Eu sei que outros pais que têm crianças com Síndrome de Down vão até a escola antes do início das aulas para “educar” a sala, mas eu não fiz isso. Ele sempre foi o Sawyer para mim e eu não senti a necessidade de falar sobre Síndrome de Down para a sala dele até este momento.
Eu percebo agora que eu o deixei triste. Eu deixei um ano passar sendo que eu poderia ter feito mais para educar as famílias. Talvez assim nós não tivéssemos chegado a esta situação. Eu percebo que é minha obrigação educar mais as pessoas sobre o que significa ter Síndrome de Down e como eles (portadores da síndrome) são mais parecidos com as outras pessoas do que diferentes.
Eu agora sei o quão importante é falar sobre isso e é algo que eu me comprometo a fazer melhor.
Por favor, saibam que eu estou aqui para conversar caso vocês queiram. Eu posso ser uma mãe ursa, mas eu não sou uma pessoa assustadora. Eu reconheço que todos nós cometemos erros e que no fim do dia, eu acho que ambos poderiam ter feito coisas melhores.
Obrigada, Jennifer (mãe do Sawyer)”