Tiques nervosos podem indicar doenças ou traumas reprimidos, diz estudo.

Muitos já roeram as unhas. Essa maneira de aliviar o stress é bastante comum, mas podem tornar-se em tiques nervosos e tornar-se um caminho sem volta.
Outras “manias” consideradas tiques nervosos também são um reflexo da necessidade de se distrair ou entreter o cérebro, dizem os especialistas.
A jornalista Marina Duarte começou a puxar a pele dos lábios com as mãos e a morder a parte interna das bochechas quando tinha 18 anos. “Acho que começou nessa época, por ter sido uma fase de decisões como o fazer prova de vestibular e tirar a carteira de motorista“, acredita. Passados oito anos, ela ainda mantém esse hábito. “Eu nunca percebo quando começo a puxar o lábio. Quando dou por mim, já estou fazendo. Às vezes chega a sangrar“, conta. Como a jornalista diz não se sentir incomodada com a “mania”, e que isso não atrapalha a sua rotina, ela ainda não sentiu necessidade de procurar ajuda de um médico para acabar com esse problema.
Um dos tiques mais comuns, o de roer as unhas, pode parecer inofensivo e apenas um embaraço estético, já que a beleza das mãos fica comprometida. Mas, como explicam os especialistas, esse hábito pode ser prejudicial à dentição, à musculatura e à articulação da mandíbula. Além disso, também é uma porta de entrada para bactérias, quando a mania se estende para as cutículas – microorganismos podem entrar no corpo através das feridas.
A faixa etária em que se percebeu a maior incidência de tique é entre 7 e 11 anos. Além disso, o problema acomete mais crianças brancas e residentes em áreas urbanas, segundo a Sociedade Brasileira de Neurociencia.
Em casos mais severos, em que a pessoa se sente constrangida ou incomodada, é aconselhado tratamento psicológico e medicamentoso. De acordo com a psiquiatra Sofia Bauer, o desenvolvimento de um tique nervoso indica uma baixa de serotonina no organismo. Esse neurotransmissor faz com que a pessoa fique mais calma, além de ganhar uma postura mais positiva e alegre. A especialista ressalta ainda a importância de se consultar um médico: “O tique pode ser um sintoma de transtorno de ansiedade generalizada, de transtorno bipolar ou de depressão ansiosa. De qualquer forma, é bom procurar um psiquiatra“.

Os sintomas de hiperactividade e de déficit de atenção podem surgir desde a infância. A maior ocorrência é em meninos entre 7 e 17 anos. “A criança muito agitada não sabe o que fazer com as mãos e acaba realizando acções repetitivas. Geralmente, o tique desperta quando ela descobre a realidade da vida“, explica Sofia Bauer, que lembra ainda que o momento em que a criança nota que Pai Natal não existe, e os pais são simples seres humanos, é uma fase de descobertas que pode ser angustiante.
Como tratamento, apenas medicação não é o suficiente. “O remédio, em si, não faz ninguém parar de roer unhas, por que essa acção já virou um hábito. É preciso conciliar o medicamento com a terapia“, afirma a médica.
Nem sempre são usados remédios de uso controlado para se tratar um tique. Esses são mais indicados para fobias e para a síndrome do pânico. “Nos casos de manias, recomendamos o uso de antidepressivos com antipsicóticos e moduladores de humor. Isso depende, claro, de cada pessoa, e se o problema é um transtorno de ansiedade. Varia conforme o quadro clínico do paciente“, diz a psiquiatra.

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De acordo com a especialista, os tiques são mais complicados de se tratar do que o chamado TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). O TOC é mais fácil de ser tratado e tem mais sucesso na cura, na maioria dos casos, por responder melhor a medicamentos.
Um tique nervoso que deve receber atenção redobrada dos pais é o piscar de olhos repetidamente e de forma rápida. Esse hábito, na verdade, vai além de um tique, e pode indicar um trauma sofrido pela criança, como abuso, separação não amigável dos pais ou outro evento que a tenha marcado psicologicamente para o resto da vida. “O piscar de olhos de forma excessiva é um sintoma de uma situação em que a criança não quer enxergar algo que esteja acontecendo á sua volta“, diz a psiquiatra Ou seja, é uma forma inconsciente de a pessoa mostrar que não está bem.

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