O Transtorno Borderline é um distúrbio que afeta principalmente o equilíbrio emocional. O quadro interfere em todas as esferas da vida, desde trabalho até relacionamentos amorosos e familiares, impede o planeamento em longo prazo e ainda pode surgir concomitantemente a outros quadros psiquiátricos como depressão e bipolaridade.

Apesar de ser menos conhecido do que outras condições do mesmo tipo, como esquizofrenia e transtorno anti-social, o borderline é muito mais comum e atinge ao menos 1,6% da população, sendo 75% mulheres.

O que é transtorno de personalidade borderline?
Segundo a psiquiatra Suzzana Bernardes, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), TPL é um tipo de transtorno de personalidade caracterizado pela instabilidade emocional, que muda ao longo do dia muitas vezes sem ter nenhum episódio desencadeante. O distúrbio afeta principalmente as relações pessoais, a auto-imagem e a visão dos relacionamentos.

Características do transtorno borderline

Os sintomas de transtorno borderline mais conhecidos incluem:

Instabilidade emocional

Angústia, ansiedade, medo e inquietude são sentimentos que surgem em episódios para “borderlines”. É também frequentemente relatada uma sensação intensa de vazio.

Essas pessoas vivem constantemente com o medo de serem abandonados. Para eles, o abandono real ou ilusório significa que são seres maus. Por isso, possuem raiva inadequada diante de episódios comuns, como fim de compromissos, atrasos ou cancelamento de encontros por terceiros.

Impulsividade

Podem ocorrer ataques de raiva sem que necessariamente haja algum estímulo externo, visto que o próprio pensamento já é capaz de alterar o humor. Alguns também costumam ser sarcásticos e ficar entediados facilmente.

Em casos menos frequentes, os momentos de nervosismo podem vir acompanhados de alucinações.

Comportamento auto-destrutivo e compulsões

Em momentos de muito sofrimento emocional, as pessoas com transtorno borderline podem usar a dor física como uma forma de externalizar e aliviar o que sentem, podendo apresentar acesso de raiva e auto-mutilação.

Outra possibilidade é envolvência em situações potencialmente perigosas, como realizar infrações no trânsito.

Por último, possuem tendência a compulsões, como vício em drogas, consumismo, jogos e comida.

Desenvolvimento de outros transtornos
Grande parte das pessoas com transtorno de personalidade borderline podem desenvolver outras condições ao mesmo tempo. Entram nessa lista depressão, ansiedade, bipolaridade, distúrbios alimentares e causados pelo abuso de substâncias, stress pós-traumático, entre outros.

Relacionamentos conturbados

A idealização de companheiros e amigos faz com que partilhem histórias íntimas e segredos com pessoas logo após conhecê-las.

Contudo, sinais mínimos de que o conhecido não está disponível para ouvir ou conversar, como atraso num compromisso ou demora em responder uma mensagem, pode ser o gatilho que desperta sentimentos negativos para os portadores desse distúrbio, como ciúmes, raiva, culpa e desvalorização do relacionamento.

Percepção instável de si mesmo
A instabilidade também é marcante na autoimagem, fazendo com que variem constantemente entre atitudes de vingança e vitimização.

Suicídio e Transtorno Borderline
Pessoas com borderline têm mais risco de cometer suicídio. Isso deve-se à sensação de vazio e solidão, principalmente quando há depressão envolvida. Algumas vezes, a descoberta do quadro ocorre justamente após uma tentativa de acabar com a própria vida.

No entanto, a simples observação dos sinais de comportamento suicida, como consumo de substâncias e mudanças anormais no comportamento, e a procura por um especialista pode evitar com que o paciente chegue a este limite.

Transtorno borderline tem cura?
A psiquiatra Suzzana Bernardes explica que não há como curar borderline, pois o distúrbio persiste até o fim da vida.

Contudo, o DSM-5 ressalta que o nível de prejuízo social e a chance de suicídio caem conforme a idade avança, principalmente se forem aplicadas abordagens terapêuticas.

Como lidar com Borderline?

As emoções extremas dos indivíduos com transtorno borderline podem ser muito difíceis de lidar por parte de familiares, companheiros e amigos. É necessário paciência e sensibilidade para apoiar e compreender esses indivíduos.

Conversar e tentar não ignorar o indivíduo pode ser de grande ajuda, assim como incentivá-lo a ocupar-se com atividades para o seu próprio prazer.

Durante ataques de fúria pode haver uso de linguagem pejorativa, o que requer compreensão da família, visto que muitas vezes a pessoa com personalidade limítrofe não consegue controlar seus impulsos.

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Outra sugestão importante é que pessoas que convivem diretamente com quem tem o transtorno borderline façam acompanhamento psicológico também. Assim eles conseguirão o suporte necessário para lidar com todos os aspectos do convívio sem se sobrecarregar psicologicamente.

FONTEVix