Uma criança saudável não nasce para estar sentada, vendo televisão ou brincando com o tablet. Uma criança não quer estar calada o tempo todo.

Elas precisam se mexer, explorar, encontrar novidades, criar aventuras e descobrir o mundo que as rodeia. Elas estão aprendendo, são esponjas, brincalhonas natas, caçadoras de tesouros, terremotos em potencial.

Elas são livres, almas puras que tentam voar, não ficar de canto, amarradas ou com algemas. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e da escassez de imaginação dos mais velhos.
Não as apressemos ao nosso mundo de desencanto, potencializemos a sua capacidade de se surpreender. Precisamos garantir que tenham uma vida emocional, social e cognitiva rica de conteúdos, de perfumes de flores, de expressão sensorial, de alegrias e de conhecimentos.

O que se passa no cérebro de uma criança quando brinca?
A brincadeira tem benefícios para as crianças em todos os níveis (fisiológico-emocional, comportamental e cognitivo) que não são novidade. De fato, podemos falar de diversas repercussões inter-relacionadas que ela oferece:
Regula o seu estado de ânimo e a sua ansiedade.
Favorece a atenção, a aprendizagem e a memória.
Reduz a tensão dos neurônios, favorecendo a tranquilidade, o bem-estar e a felicidade.
Magnifica a sua motivação física, e graças a isto seus músculos reagem motivando-as a brincar.
Tudo isto favorece um estado ótimo para a imaginação e a criatividade, ajudando-as a aproveitar a fantasia que as rodeia.

Como afirma Kim Payne, professor e orientador norte-americano, estamos criando as nossas crianças no excesso de, exatamente, quatro pilares:

Informação demais.
Coisas demais.
Opções demais.
Velocidade demais.

Estamos impedindo-as de explorar, refletir ou se libertar das tensões que existem na vida quotidiana. Estamos empanturrando-as de tecnologia, de brinquedos e de atividades escolares e extracurriculares, estamos distorcendo a infância e, o que é mais grave, estamos impedindo-as de brincar e se desenvolver.

Atualmente, as crianças passam menos tempo ao ar livre do que as pessoas que estão em prisões. Por quê? Porque as mantemos “entretidas e ocupadas” em outras atividades que achamos mais necessárias, procurando que fiquem limpos e não se sujem de barro. Isto é inaceitável e, acima de tudo, extremamente preocupante. Analisemos algumas razões pelas quais precisamos mudar isto…

Mantê-los colado ao ecrã do telemóvel, do tablet, do computador ou da televisão é tremendamente prejudicial a nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.
Poderíamos continuar, mas realmente, neste ponto, acredito que a maioria de nós já encontrou inúmeras razões que mostram que estamos destruindo a magia da infância. Como afirma o educador Francesco Tonucci:

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A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: a sua vida, as suas surpresas e as suas descobertas. O meu professor sempre pedia que esvaziássemos os bolsos na sala de aula, porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, figurinhas, bolinhas… Pois atualmente deveríamos fazer o contrário, pedir as crianças que mostrem o que levam nos bolsos. Desta forma a escola se abriria para a vida, recebendo as crianças com os seus conhecimentos e trabalhando ao redor delas”.

“Se uma criança não precisa entrar com urgência na banheira, é porque não brincou o suficiente”. Esta é a premissa fundamental de uma boa educação.